EXEMPLO DE DEDICAÇÃO
Aluno de Alto Paraíso é aprovado no 1º lugar de medicina em universidade federal
Natural de Alto Paraíso, Luiz Fernando Souza tem 17 anos e optou pela Unioeste, onde também obteve a melhor colocação
Publicado em 16/02/2026 às 10:41
De Alto Paraíso até Beaconsfield, uma das maiores metrópoles da Austrália, são mais de 24 horas dentro do avião e 13,4 mil quilômetros de distância. Esse foi o caminho que o jovem Luiz Fernando Souza de Andrade, com 15 anos à época, percorreu em 2024 graças ao programa Ganhando o Mundo, do governo do Estado.
A conquista de poder cursar um semestre letivo em um país do outro lado do globo se soma agora à outra tão importante quanto: a aprovação não em um, mas em dois vestibulares para medicina em universidades públicas, um dos cursos mais disputados no País. Hoje com 17 anos, Luiz passou em primeiro lugar nos cursos de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Pela Unioeste, Luiz foi o primeiro colocado no programa Aprova Mais Universidades, desenvolvido em parceria entre a Seed-PR e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Pela UFMS, o paranaense foi o primeiro colocado no processo seletivo seriado, que avalia o aluno ao longo dos três anos do ensino médio.
“Prestei vestibular para UFPR, UEL, Unicentro, Unioeste, UFMS e também fiz o Enem. Meu foco sempre foi entrar na universidade pública, mas não esperava passar direto agora, então foi uma surpresa muito grande”, afirma Luiz, que finalizou o 3º ano do ensino médio em 2025 e já está com a matrícula garantida no ensino superior.
Ele chegou a ser aprovado em 5° lugar para cursar Engenharia Civil na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ainda quando estava no 2° ano do Ensino Médio, com a nota do Enem de 2023. Resultado que fez com que Luiz conseguisse uma bolsa de estudos em Umuarama, em uma distância muito inferior à Austrália, de apenas 66 quilômetros de sua cidade natal. Na Capital da Amizade, dividia a rotina entre o curso em período integral, já com foco no vestibular de Medicina, e à noite no 3º ano do ensino médio no Colégio Estadual Pedro II.
“Eu acordava por volta das 6h30, com seis aulas pela manhã, das 7h15 ao meio-dia. Tinha duas horas de almoço, mas fazia tudo rápido para sobrar mais tempo para estudar e, por volta das 13h15, já retornava para o cursinho. Estudava nas cabines individuais de maneira ativa, com resolução de exercícios e aulas específicas, principalmente de biologia e química, até por volta das 19h. Depois, ia direto para o colégio à noite”, comenta, sobre a rotina intensa de estudos. “Eu chegava em casa todos os dias por volta das 23h”.
E se engana quem pensa que o final de semana era só moleza. “No sábado tinha aula pela manhã e, à tarde, fazia simulados do Enem, de vestibulares e provas antigas. No domingo descansava um pouco, mas reservava de duas a três horas para fazer a correção detalhada dos simulados, analisando erros, acertos e pontos de melhoria”, acrescenta.
Com a aprovação por nota no ensino médio já no meio do ano letivo, Luiz aproveitava os momentos livres para focar nas atividades do cursinho. Fazia, em média, 70 exercícios por dia, o que, segundo ele, “não focado apenas na quantidade, mas na qualidade”. Esforço que foi recompensado.
“Sempre digo só não passa quem desiste, e eu não estava disposto a desistir. Se não fosse agora, seria depois. As vagas existem e precisam ser preenchidas. Eu não esperava e agora vou preencher uma vaga, realizando meu sonho”, celebra, ao passo que destaca a trajetória até chegar a aprovação. “Digo que não existe uma dica ou segredo. É sentar na cadeira e estudar com foco. Saía com os amigos às vezes, mas abdiquei de muitos momentos. Ninguém está bem todos os dias, mas é preciso manter constância”.
Futuro
Luiz escolheu a Unioeste e, em breve, terá novo CEP residencial. Ele vai percorrer agora 340 quilômetros para estudar no campus de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. A matrícula já está feita.
“As aulas começam no dia 16 de março. Já estou em contato com veteranos e, na próxima semana, vou conhecer o campus e ver minha nova moradia. Também já conheci colegas aprovados que serão da minha turma”, explica.
Orgulho
A felicidade pela aprovação em um curso tão difícil quanto Medicina não é algo individual, mas sim coletivo. “Foi um misto de emoções e sentimentos, a alegria foi contagiante, pois não há nada mais satisfatório para os pais do que ver um filho realizando seu sonho”, conta Sirley Souza de Andrade, 41 anos, professora e mãe de Luiz.
“Enfrentamos muita coisa durante esse processo, como distância, ansiedade e insegurança durante o período de incerteza até a aprovação. Hoje ela representa a realização de um sonho. As expectativas são de que ele se torne um profissional humanizado e que faça a diferença como ser humano para com a comunidade”, complementa o pai, Ademir Caetano de Andrade, 50 anos, trabalhador rural.
“Luiz sempre foi um estudante muito dedicado, esforçado, focado e estudioso. Não poupava energia para alcançar seu objetivo de estudar medicina. Participou do Ganhando o Mundo e sempre se fez presente sendo destaque em seu aprendizado”, recorda a chefe do Núcleo Regional de Educação de Umuarama, Gilmara Zanata.
Fonte: Portal da Cidade Umuarama
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